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segunda-feira, 23 de junho de 2008

i'm back

Este blog esteve para regressar à vida várias vezes, com datas marcadas e tudo.
Dia 1 de Maio. Dia em que começou oficialmente a minha maratona em Itália e dos dias mais difíceis que já tive. Em 2007, diga-se.
Em Maio voltei a Itália, exorcizar fantasmas e terminar o fantástico percurso de Cinqueterre. Pensava eu que ia fechar um ciclo mas, aprendi o óbvio, só estava a começar um novo.
Fosse por ter passado 3 horas a fazer algo que já não fazia há anos - desenhar - no chão de um museu onde não passei do pátio da entrada, fosse por ter cumprido a vontade do Povo e ter visto o Papa em Roma. Seja como for, ali tive dos pensamentos mais claros e sóbrios sobre a minha pessoa.

E àquela terra - Itália - havia de voltar semanas depois no contexto da Bienal Internacional de Jovens Criadores da Europa e do Mediterrâneo. Caixa partida à parte, foi muito bom poder conhecer tanta gente interessante, ter conversas tão ricas e variadas que tendo chegado sem conhecer ninguém partiu-se já com saudades. Foi muito bom conversar por conversar, apanhar comboios e daqui vai disto!, sentir parte dum todo com muita qualidade como era a delegação portuguesa. Voltei a acreditar na arte, no seu poder, em objectivos e nas pessoas à sua volta. Acordei para o valor do que temos cá na terrinha (ainda que nem todos o tenham feito) e com vontade de meter mãos à obra. Por fim descobri que a minha caixa para transportar orgãos ainda tem muito para andar!

Ainda que as coisas não comecem da melhor maneira, isso não quer dizer que não se mostrem grandes! Foi mais uma lição...

domingo, 9 de setembro de 2007

La notte bianca piena

Esta noite fiquei extasiada!
No âmbito da Notte Bianca de Roma fui ver "Le Jazz Fait son Cirque et Vice Versa".
O espectáculo consistia na conjunção - que funcionou em perfeita complementaridade - de números de arte circense com, claro, Jazz.
Apesar da técnica ser muito boa (ainda que me falte qualquer formação para o dizer com verdadeiro conhecimento de causa) mas não foi isso que fez a diferença. Também não foi pelo guarda-roupa. Foi pela personalidade das personagens e pelos detalhes dos números. Foi, como pude comprovar no fim, por eles serem, de facto, um grupo. Sentia-se a união, sentia-se o ar e o tempo fluir. Sentia-se verdadeiramente a energia e, sobretudo, tudo surgia duma forma natural, dentro da realidade do espectáculo.
E tudo isso contagiou o público desde o primeiro momento. A união passou a ser de todos, o grupo passou a funcionar com toda a gente que estava naquele momento naquele espaço.
É o mesmo que ver uma equipa de futebol a funcionar como deve ser pronto!

Senti-me mesmo bem naquele espectáculo. Senti-me parte daquilo, e ri-me, ri-me com vontade e sorri muito.
No fim pude apreciar o grupo a congratular-se, a contar todos os detalhes do que aconteceu, das reacções, no meio de muitos abraços e orgulho sincero uns nos outros. Foi mesmo muito bom.


Nota: Evento no Auditorium Parco della Musica, pela Companhia Via - Les Nouveaux Nez, Cavajazz,
Compagnie Sycoum Cyrc Sourcier e artistas convidados - uma criação para o festival Metamorfosi.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Um lugar ao sol

Finalmente conquistei, penso, o meu lugar ao sol.

Apesar de continuar a sentir que faltam muitos "porquê?s" para algumas coisas melhorarem, noutras hoje tive um dia fluído. E soube muito bem.
Soube bem rir, soube bem sentir, pela primeira vez, natural.
E ver coisas novas, escondidas. Os mistérios de Roma, aquela personagem que deve ser descoberta com calma, sozinha e quando ela nos permite.

Regressei a casa. Fluído ainda. "Tu mi ai mancato!"
Obrigada. Já cheguei. Andiamo. Grazie. Prego.
Obrigada por teres guardado um lugar ao sol para mim. Não vou esquecer. Natural, ainda.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Roma amoR? II

Há sensações às quais nunca me irei habituar. Uma é despedir-me de alguém e pensar q difícilmente a tornarei a ver, por muitas mensagens que fiquem prometidas de enviar.
A menina senhora a quem dei um Topo Cristina (eu versão ratinho da sorte) trabalhou hoje pela última vez naquele estúdio. E mesmo que volte um dia, eu já não estarei lá para a receber. Era o óleo que fazia todas as nossas rodas dentadas girar. Era tudo, era a que nos convencia que, apesar de tudo, valia a pena insistir. Ela não conseguiu insistir mais. Ali às vezes parece que andamos contra uma parede e a sensação que temos quando tentamos ir mais além é a de voltar para trás.
Leis da física n é? I'll miss you bella!

Outra sensação estranha é a de me aperceber que alguém significa mais para mim do que eu pensava sentir. Há coisas que nos despertam, que nos aproximam. Há alturas em que nos sentimos mais humanos e sentimos que os sorrisos revelam o que não fazia sentido nenhum antes. Preciso de agarrar as rédeas de novo, agora que sinto o equilíbrio em mim (que saudades da equitação!...). Devo sapere cercare quello che voglio.

Hoje senti o que talvez sentirei quando me for embora. Pelo menos uma amostra. Senti Roma como uma personagem, uma presença e senti-me abraça-la porque seria dela que mais sentiria falta.
Mas estas histórias não têm fim. Têm, isso sim, a indicação para virar a página.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Reciclar, o que é isso?

Em Portugal conheço várias pessoas que tentaram fazer separação do lixo para reciclar mas, dado que os únicos contentores para tal efeito eram a quilómetros de distância, acabaram por desistir (ainda que tenham tentado alertar os responsáveis para a mesma falha).

Aqui, vejo com frequência contentores de reciclagem. Perto de casa, mesmo MESMO pertinho, temos 2 conjuntos. Mas ninguém cá parece perceber para que servem ou porque é que se deve reciclar. Isso faz-me confusão. Especialmente com o índice de poluição desta cidade.

Aqui em casa tentei por várias vezes por sacos na cozinha para se separar o lixo. 20 cm acima do saco do lixo comum, mas mesmo assim não resultou. Fui fazendo o que pude, e também no meu quarto tenho sacos.

Mas mexe com todos os químicos que tenho dentro de mim chegar a casa e ouvir que foi tudo para o lixo (junto) porque estavam muitos bichos a sobrovoar a zona. É mais que sabido que SÓ pode ser do papel! Ou das garrafas de plástico! Vá lá, até poderia ser dos tabuleiros de esferovite da carne (passados por água), mas o facto é que os restos de comida vão, pura e simplesmente, para o lixo COMUM.

Também gosto particularmente quando me ameaçam "este saco está cheio, se não o levas para reciclar, levo tudo para o lixo" - um contentor ao lado.

Que raio, mas estão a fazer-me assim um favor tão grande?!...

Haja ignorância!




(sobre reciclagem considero este post muito interessante)

Mostra gay

"Oggi si saprà dove potremo veder la mostra gay "Vade retro""
("Hoje saber-se-á onde poderemos ver a mostra gay "Vade retro")

in City






Confesso que não me ocorre nenhum nome mais adequado...










sexta-feira, 20 de julho de 2007

"Treno"

Passa uma linha de comboio perto daqui de casa.
Passam muitos comboios, alguns bastante grandes, demoram como se insistissem para corrermos atrás.

Garanto-vos que apanho maior parte dos comboios que passam. Por vezes até parto primeiro que eles. Já fui até aos confins do mundo. Mas, quem diria, este é redondo e acabei sempre aqui.
Por isso estou a precisar de ir para aí.

Mi manca qualcosa...

Dar Tanga à tanga

É verdade que os italianos gostam de dar tanga. Na verdade, quem não gosta?
Mas que as italianas adorem tangas, é coisa que me deixa mais intrigada. Tanga, mesmo tanga. Dessas que estão a pensar. No ginásio confesso que me sinto uma autêntica Bridget Jones. Poupo-vos a descrição da minha roupa interior, mas não são nenhumas ceroulas!

Anyway... há de tudo e para todos os gostos, seja gorda magra, nova ou velha, com ar impertigado de executiva ou de dona de casa desesperada, para tudo chega. E com a moda vão as imigrantes. Mães, filhas e grávidas.

E até a minha chefe. Acreditem que preferia não ter esta memória, mas quando a senhora se senta na mesa, durante uma reunião e salta de lá a sua decoração interior, confesso que vacilei... Vacilei ainda mais porque a tanga estava mais nas costas que na gaveta - como dizia uma amiga minha (não peçam detalhes).

Vou deixar de lado o assunto dos soutiens demasiado pequenos ou demasiado grandes para que possam fazer a vossa própria análise.

E viva a liberdade!

Roma amoR?

Não foi fácil vir para Roma. E tudo o que tem acontecido tem sido inesperado, longe de cumprir eventuais objectivos determinados. Falta-me tudo, até o ar. E do ar da sua graça.

Diz-se "em Roma sê romano" mas eu desaconselho. Digo antes "sê meio romano". Isto porque os italianos são, em geral (que me desculpem as excepções à regra mas cada dia que passa vejo isto mais confirmado) são muito dados à poluição - de todos os géneros - ao desleixo e à desorganização. São, da cabeça aos pés, latinos de sangue quente. Basta ver pela sua maneira de conduzir (ao fim de 3 meses ainda me sinto intimidada, mas creio já ter aprendido a atravessar a "via"...).
Mas fazem-me lembrar do que é ter orgulho pelo proprio país; defendem as suas coisas com unhas e dentes, quando é para protestar fazem-no com todo o fôlego e sem medo. Vivem igualmente do futebol mas sabem do que se passa na política, não se esquecem do mundo para além da bola.

Estou a ser bem tratada. Gosto de aqui estar. Gosto de regressar a casa e cruzar amplas praças e avenidas, imponentes igrejas, pincelados em tons de pastel casas saídas de um cenário muito bem cuidado. Gosto de mudar de rua e encontrar mais um conto da História. É bom sair à descoberta. E sozinha exploro cantos mais invulgares, detalhes esquecidos.

Há dias disseram-me algo curioso... se é verdade ou não, não sei, mas se assim for, devo ser como Roma. Roma não é uma cidade para se descobrir no meio dum grupo, no meio duma festa. Está sempre viva, mas tem demasiado mistério. É para ser conhecida com calma, sozinha, tranquilamente. Saber estar tranquilamente em Roma é para quem sabe sentir... eu não sei se a sinto. Mas gosto de cá estar.